Assisti a uma apresentação de dança de uma turma de 2º grau hoje. Não posso negar que as meninas, com em média 15 anos, eram atraentes como só meninas conseguem ser. E sendo a música uma das mais novas da parada Black americana, é possível imaginar o vestuário sensual.
Quando comecei a assistir, fiquei encabulado de ver meninas daquela idade dançando de maneira tão provocante e com trajes tão demonstrantes. Logo repeti pra mim mesmo uma das máximas das tias, de todas as épocas: "Pra onde esse mundo vai".
Após uma pausa reflexiva, mudei de idéia. Talvez essa nova relação com o corpo não seja assim um pecado tão imperdoável.
Claro que muita gente diz que mulheres que fazem uso de seus atrativos físicos para se destacar se desvalorizam. Mas acho que essa conversa foi falada por alguma mulher feia e mal amada, e a muito, muito tempo atrás. Nós só não nos demos ao trabalho de repensar as coisas.
Se nos lembramos da frase que entitula esse post e damos a ela crédito, podemos inferir que ter um bom relacionamento com seu próprio corpo, seja conhecendo-o bem, seja não tendo vergonha de expô-lo é uma grande qualidade.
É, na verdade, um complemento para a mente sã. E por falar em mente, valer dizer que qualidades intelectuais ninguém tem vergonha de expor e o faz sempre que possível. Mas claro que contra isso muitos dirão: "As qualidades intelectuais merecem maior destaque que as físicas, por serem mais difíceis de se adquirir". Bem, não vou entrar no mérito da questão, mas não considero esse argumento fator determinante de "melhor" ou "mais importante".
Além do mais, durante tanto tempo vivemos sob uma tutela carrasca de religiões baseadas em falsos pretestos e cheias de práticas e mandamentos descabidos, que a aceitação do corpo, como parte imprescindível e maravilhosa do ser se tornou pecado imperdoável.
Claro que não acredito que o modo como as coisas correm atualmente, nessa dicotomia entre corpo x mente, em que quando um ganha, o outro tem que necessariamente perder, seja o melhor meio de promover a valorização do físico. Mas acredito, que apesar dos pesares, poderemos chegar, algum dia, num equilíbrio entre ambos. Com liberdade de usar tanto corpo, quanto mente, para o trabalho, o lazer, o prazer.
Sem nos sentirmos culpados e sujos, por usarmos nosso corpo da maneira que preferirmos.
(Um pouco confuso eu sei).
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Um comentário:
Olha só, OK. Existe uma certa hipocrisia medieval quanto ao corpo e ao prazer. Concordo. “Mens Sana In Corpore Sano”. Mas ao que me parece o "Corpore" nessa onda é sempre muito mais valorizado pela mídia e pelas pessoas do que a "Mens". Não consigo pensar um cenário na atualidade onde tem se exposto as "qualidades intelectuais". Aliás as citadas adolescentes em sua maioria (não todas sejamos justos) tem buscado muito mais sua afirmação numa sexualidade exacerbada e esquecem de todas as outras formas possíveis. Muito "Corpore", pouca "Mens". Então embora ache louvável combater o senso comum de “onde esse mundo foi parar” no final das contas, no papel de Grilo Falante, tenho como um herói a la Hemingway ficar do lado do mais fraco pra equilibrar um pouco as coisas...
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